Educação e coragem regeram discursos na Conferência Brasil de Ideias

A situação atual e os rumos da política nacional foram postas em cheque na Conferência Brasil de Ideias, evento da Revista VOTO, que aconteceu na manhã da sexta-feira, 26 de maio, no Teatro da IMED em Porto Alegre. Discursos entusiasmados deram vazão ao sentimento que mobilizou os convidados a comparecerem nesta segunda edição da conferência. Denominada “Avante Brasil”, este ciclo encontrou na capital gaúcha as vozes daqueles profissionais cientes das dificuldades pela qual a nação está passando, bem como fazem a suas avaliações de possíveis medidas para alterar o curso desta situação.

No painel “Brasil em Transição, Crenças, Liderança e Mudança Institucional”, o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan explicou aos ouvintes a situação em que o município se encontrava quando assumiu sua gestão. Um dos fatores mais impactantes que tomou conhecimento nestes primeiros meses de mandado foi o panorama da educação municipal, em que 91% dos alunos que terminam o ensino médio saem sem saber matemática. O prefeito indagou ainda onde estariam os líderes da sociedade, pois os direitos e deveres não deveriam recair somente sobre o poder público. “Todos nós somos responsáveis pelas mudanças que precisam ser feitas na nossa sociedade”, ressaltou Marchezan.

O Secretário Estadual da Educação, Ronald Krummenauer, enfatizou a necessidade se de promover mudanças de real impacto na área. “Estamos falhando na educação do aluno, como Estado e como nação. Já fomos referência em educação no país. Hoje, apresentamos um dos piores resultados”, colocou Krummenauer. O secretário ainda apresentou algumas das medidas que já estão sendo trabalhadas pelo governo estadual, como uma força tarefa entre Secretaria da Educação, de Administração e de Obras para a reforma de aproximadamente mil escolas até 2019; e uma modernização do sistema, que perpassa pela revisão do plano de carreira dos educadores estaduais (criado na década de 1970) e nos sistema de avaliação de professores e alunos.

O cientista político, economista, diretor do BRICLab da Columbia University, e colunista da Folha de São Paulo e da revista VOTO, Marcos Troyjo focou no conceito de transição, reforçando que hoje estamos passando por um movimento de adaptação e de reestudo de nossas habilidades e capacidades. Troyjo acredita que o país avançará a passos largos até 2020. Para isso, é necessário observar o cenário global e compreender o papel e espaço do Brasil no panorama atual. Como exemplo, o cientista mencionou o movimento feito pelo presidente estadunidense, Donald Trump. Para Troyjo, o fato dos EUA estarem revisando seus acordos comerciais, pode ser uma oportunidade para o Brasil fortalecer sua imagem e buscar novos mercados e acordos.

Este debate foi encerrado com a fala do advogado especialista em legislação eleitoral, Antônio Augusto Mayer dos Santos, que reforçou a ideia de que o nosso próprio sistema, na forma como está formatado, não faz com que o povo se sinta parte do estado e que, assim, faça com que a democracia não funcione da forma como deveria. “A democracia parece acontecer apenas no momento do voto, da eleição e o brasileiro só reage quando determinado acontecimento o afeta diretamente”, define Antônio Augusto.

O segundo painel, “Como Construir uma Nova Narrativa para o Brasil?”, trouxe observações de como, enquanto sociedade, deve-se trabalhar com o propósito de provocar mudanças, ao passo que devemos não somente cobrar nossos direitos, mas também agir com mais responsabilidade atentando para os nossos deveres enquanto cidadãos. A professora e economista Chefe da Fecomércio/RS, Patrícia Palermo falou sobre a necessidade de fazermos reformas de grande porte, tendo em vista que a relação receita-despesa não está em equilíbrio, não somente a nível nacional, mas estadual e municipal também. “Só vamos fazer com que as pessoas entendam a necessidade das reformas quando elas pensarem no todo, na sociedade. Por isso é difícil a compreensão do que é uma reforma tributaria ou uma reforma previdenciária”, reitera Patrícia.

“O papel da empresa é auxiliar o cidadão”, declarou o presidente da Safeweb, Luiz Carlos Zancanella. O executivo reconheceu que as empresas tem uma grande responsabilidade para com a sociedade. “Se a educação é imperativa, a empresa deve auxiliar o Estado, devolvendo futuro à sociedade”, defendeu Zancanella ao dizer que, enquanto a sociedade oferece infraestrutura social, mão de obra capacitada e consumidores, o empresariado deve retribuir, oferecendo empregos e serviços.

Já o ex-Secretário de Planejamento e Gestão, presidente do Banrisul e presidente da Falconi Consultoria, Mateus Bandeira, foi enfático ao afirmar: “A gente nunca teve problema de diagnóstico. Sabemos exatamente o nosso mal. Temos é incapacidade política de resolver os problemas que os diagnósticos nos apontam”. Para Bandeira, ideias sempre houveram, o que precisamos é de pessoas com coragem para realizar as mudanças.

Pensando no papel do ensino na construção do futuro, o economista, doutor em Agronegócio e professor da IMED, Vitor Dalla Corte, declarou ser imprescindível a construção de uma nova narrativa no âmbito acadêmico. “Entendi que, no meu papel enquanto educador, preciso ouvir mais e incorporar inovação, criatividade e empreendedorismo em sala de aula, além de proporcionar novos conhecimentos que estejam alinhados com valores e técnicas para promover mudanças. Melhoramos o acesso ao curso superior, por exemplo, mas, em paralelo, não aumentamos nossos índices de produtividade. Logo, temos que trilhar um caminho diferente do que estamos fazendo hoje no ensino”, declarou Vitor.

A publisher da Revista VOTO, Karim Miskulin, enfatizou a importância do debate entre empresários e políticos tendo como pano de fundo uma questão de interesse comum entre todos: o desenvolvimento da País. “Educação e coragem permearam os discursos desta manhã, o que mostrou a relevância de debatermos estas questões. Diversas esferas estão aqui presentes mostrando que sim, há espaço para a conversa, o diálogo e que junto, podemos provocar a reflexão e propor ações”, conclui Karim.

O ciclo “Avante Brasil”, contou com patrocínio da IMED e Celulose Riograndense e passará pelas principais capitais brasileiras.

 

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