Luzes no caminho da ruptura

A importância da mobilização das pessoas para melhorar a sociedade está presente de duas maneiras no novo livro do economista Cezar Busatto: no conteúdo e no financiamento coletivo (crowdfunding). Uma “vaquinha online” foi aberta em um site para obter os recursos destinados à edição da obra. A meta de R$ 25 mil, basicamente para cobrir o custo de impressão de 1.000 exemplares, foi alcançada nas primeiras semanas.

Fiel ao que o título anuncia, “Revolução Cidadã”, Busatto procurou o financiamento coletivo para não ter de recorrer a empresas, já dando um tom do conteúdo que o leitor encontrará nas páginas.

– Não quero buscar recursos em grandes e tradicionais doadores. Defendo a proibição de doações empresariais para a política e, por coerência, busquei a contribuição de pessoas físicas para o livro – afirma.

Busatto também vê nisso uma experiência inovadora porque “basta ativar a sua rede” para se obter algum retorno, seja em uma campanha para melhorar o bairro, a cidade ou mesmo fazer uma campanha eleitoral.

– Mas a credibilidade é fundamental, caso contrário as pessoas não se mobilizam – enfatiza.

De acordo com ele, o fundo partidário para financiar campanhas eleitorais usa dinheiro que poderia ser canalizado para outros fins públicos essenciais. Para este ano, o valor aprovado pelo Congresso é de R$ 888,7 milhões, dos quais R$ 780,3 milhões oriundos de dotação da União.

– É um dinheiro que não será usado para melhorar a saúde pública ou a segurança – afirma.

Busatto propõe que os recursos para um candidato venham de forma semelhante como está fazendo em seu livro, o financiamento coletivo.

– Que bom seria se cada político levantasse dinheiro com seus eleitores. Tem de ser financiado pelo eleitor que confia nele.

O economista fala com conhecimento. Foi eleito três vezes deputado estadual, entre 1994 e 2006, e candidato a prefeito de Porto Alegre nas eleições de 2000. Ocupou cargos em governos, como subchefe de gabinete do ministro da Agricultura Pedro Simon, secretário estadual da Fazenda, chefe da Casa Civil no Palácio Piratini e secretário de Governança Local de Porto Alegre. À frente de cargos nas três esferas de governo, Busatto tem larga experiência de gestão estratégica e administração pública.

No livro, com previsão de lançamento até fim de julho, o autor faz uma análise das cidades como um novo ator político coletivo que rejeita a caracterização de ente subnacional, pois lhe dá inferioridade frente às outras esferas de governo.

– É na cidade onde as pessoas nascem, onde trabalham, onde criam seus filhos e desenvolvem seus projetos de vida. A cidade viabiliza o cidadão – enumera.

Conforme o autor, esse novo movimento das cidades e dos cidadãos assumindo o protagonismo não é um fenômeno tecnológico, mas social, totalmente ligado às possibilidades das novas tecnologias. Busatto acrescenta que as cidades e os cidadãos querem mostrar mais o próprio rosto do que serem representados.

– É na praça Tahrir, é no Occupy Wall Street ou em um protesto na avenida Paulista. Enfim, a cidade e o cidadão são os novos atores sociais – afirma.

Busatto concorda com o que disse o economista Eduardo Giannetti, que precisamos de menos Brasília e mais Brasil.

– Estou propondo uma nova pactuação federativa na qual as cidades deixam de ser pedintes e assumam seu papel de novos atores, protagonistas de uma nova realidade social – destaca.

A ideia de escrever o livro veio do que se observa nas ruas e nas redes sociais, da ruptura do cidadão com o sistema político, como hoje se apresenta. O autor escreve que não tem a pretensão de responder para onde isso vai encaminhar a sociedade, mas o debate proposto por “Revolução Cidadã” ajudará a iluminar o caminho.

Nunca tivemos uma chance tão grande de evoluir para um mundo mais democrático, igualitário e sustentável como temos hoje diante de nós. Isso depende unicamente de nós, de nossas vontades, de nossos desejos, de nossas escolhas como cidadãos e comunidades. Ou seja, estamos ancorados em nossa subjetividade enquanto humanos capazes de interagir e mudar os rumos da vida em sociedade no caminho de menos autocracia e mais democracia. As condições materiais para essa mudança não são mais obstáculos intransponíveis como chegaram a ser num passado não muito distante. Nosso desafio é criarmos as condições subjetivas, espirituais para essa mudança.

Trecho da apresentação de “Revolução Cidadã”, de Cezar Busatto

Crowdfunding em: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/revolucao-cidada

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