O italiano Cesare Battisti foi condenado em 19 de fevereiro a dois anos de prisão em regime aberto por porte de passaporte falso. A decisão foi tomada pelo juiz Alexandre Libonati de Abreu, da 2ª Vara Federal do Rio, segundo o acompanhamento processual da Justiça Federal. O italiano pode recorrer da decisão.
Em audiência em dezembro, Battisti admitiu que portava um passaporte falso ao chegar ao Brasil, em setembro de 2004. Segundo o italiano, agentes brasileiros e italianos que o monitoravam liberaram sua entrada no país, e que o passaporte não foi utilizado. Battisti veio da França e tinha um passaporte monitorado com código de barras.
No processo, ele é acusado de falsificação de selo ou sinal público ao entrar no Brasil - usou carimbo falso do Brasil num segundo passaporte que teria sido enviado da França depois que o documento com o qual chegou ao Brasil teria sido roubado. Battisti alegou que não precisou usar nenhum dos passaportes. O documento foi repassado por uma comunidade de refugiados da França.
Sua vinda ao Brasil, contou, tinha como objetivo o pedido de refúgio político. Battisti é condenado à prisão perpétua por quatro homicídios.
Ele lembrou ainda de sua prisão, em 2007, no Rio de Janeiro. O ex-militante disse que sabia estar sendo monitorado o tempo todo no país, e que estava informado de que seria preso. Segundo ele, depois de sua prisão, policiais franceses armados apareceram no carro em que era transportado. O delegado da PF (Polícia Federal), Osvaldo Ferreira, admitiu que dois policiais franceses participaram da operação.
“O mais importante da audiência foi a confirmação, pela Polícia Federal, da participação, na prisão dele, de policiais franceses. Até agora se negava isso”, afirmou o advogado do acusado, Luiz Eduardo Greenhalgh, logo após o depoimento.
Battisti contou também que sempre que pensava em pedir refúgio para regularizar sua situação no Brasil, era desaconselhado pelo deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) e pelo seu advogado naquela ocasião, Rogério Marcolini.
Os dois, segundo o italiano, alegavam que não havia denúncia contra ele no Brasil, e que, portanto, não havia motivo para fazer o pedido. Cesare Battisti disse ainda considerar que foi mal assessorado neste episódio.
Folha de S.Paulo

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