Tentativa de golpe deixa centenas de mortos e feridos na Turquia

A tentativa de golpe militar na Turquia nesta sexta-feira (15) deixou pelo menos 194 mortos, sendo 104 militares rebeldes e 90 membros das forças de combate leais ao governo, e mais de mil feridos. De acordo com informações da agência de notícias Reuters, 2.839 militares rebeldes foram presos e outros oito militares, que podem ter participado da tentativa de golpe, desembarcaram de um helicóptero na Grécia neste sábado (16) e pediram asilo ao país.

Exército tomou as ruas do País e governo pede ajuda à população

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, acusou o movimento Gülen, liderado pelo clérigo exilado nos Estados Unidos Fethullah Gülen, de estar por trás da revolta. Gülen lidera uma ampla organização que se diz laica, mas prega uma vertente moderada do Islamismo. Considerado um dos muçulmanos mais influentes no mundo, o clérigo era aliado do presidente, mas rompeu com ele em 2013 após o governo ter fechado instituições de ensino gülenistas.

Segundo a imprensa local, tanques e soldados estão nas ruas de Ancara, a capital do pais, e Istambul. Os militares tomaram controle de pontes nessas duas cidades, do aeroporto e da TV estatal. Há relatos de autoridades presas pelos soldados. Um toque de recolher foi imposto pelos militares.

“As Forças Armadas da Turquia tomaram controle da administração do país para restaurar o ordem constitucional, a liberdade e os direitos humanos, o Estado de Direito e a segurança geral que estão danificados”, diz a ala do Exécito que promove o golpe, em nota divulgada pela TV estatal. “Todos os acordos internacionais continuam válidos. Nós esperamos que todas as nossas boas relações com todos os países continuem”.

A Turquia, um país que está tanto na Europa quanto na Ásia, é um dos atores mais importantes para a estabilidade no Oriente Médio. O país é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e compartilha armas nucleares. Faz fronteira com a Síria e enfrenta dificuldades de controlar as fronteiras, especialmente por conta das operações do Estado Islâmico e pela crise de imigrantes.

Recentemente, a Turquia se tornou um dos principais alvos do terrorismo. Só em 2016, foram 14 ataques, o mais recente no Aeroporto de Istambul.

Erdoğan está no poder na Turquia desde 2003. Ele foi eleito primeiro-ministro em 2002 e governou até 2014. Depois, seu partido promoveu uma mudança no sistema político do país, o que permitiu que ele se candidatasse e fosse eleito presidente da Turquia em 2014. Em 2013, ele enfrentou uma série de protestos contra seu governo. As manifestações foram reprimidas com tanques e soldados.

Apesar das críticas ao seu governo e rejeição, especialmente por parte do eleitorado secular, Erdoğan conta com apoio de parte da população e foi eleito democraticamente. Golpes militares são correntes na história recente da Turquia, acontecendo em 1960, 1971 e 1980 e uma intervenção militar em 1997.

Informações das agências internacionais

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