SVB: gigantes também podem sucumbir

Como atuava o SVB

Em meados de março de 2023, foi anunciada a falência do Silicon Valley Bank (SVB) — banco comercial especializado em atender as necessidades financeiras das empresas de tecnologia, inovação e empreendedorismo. Fundado em 1983 no Vale do Silício, na Califórnia, Estados Unidos, o banco oferecia uma ampla variedade de serviços financeiros para startups, empresas de capital de risco e empresas de tecnologia em estágio inicial.

Entre os serviços oferecidos pelo SVB estavam empréstimos, financiamento de capital de risco, gerenciamento de tesouraria, gerenciamento de riscos, serviços bancários globais e serviços de consultoria financeira. O banco se destacou por oferecer serviços personalizados e especializados para atender às necessidades específicas do setor de tecnologia, que, muitas vezes, não eram atendidas pelos bancos tradicionais.

O modelo de negócios do SVB se baseava em seu conhecimento especializado do setor de tecnologia e em sua rede de contatos no Vale do Silício. O banco tinha uma equipe de profissionais experientes que conheciam bem as peculiaridades do mercado, as tendências do setor e os riscos envolvidos em investimentos nesse segmento. Isso permitiu ao SVB crescer rapidamente ao longo dos anos, expandindo seus serviços para além do Vale do Silício e se tornando uma referência em todo o mundo.

“Consequências sem fronteiras”

O efeito em cascata da falência do SVB será especialmente sentido no Vale do Silício, onde a maioria das empresas de tecnologia depende de financiamento de risco e capital de risco para crescer. Com o SVB fora do mercado, muitas empresas podem ter dificuldade em encontrar outras fontes de financiamento, o que poderia levar a um declínio significativo na inovação e no crescimento econômico da região.

Para evitar esse cenário catastrófico, os reguladores financeiros moveram-se rapidamente: o governo dos Estados Unidos tomou medidas para salvar o banco, a fim de evitar um efeito cascata na economia do país; e outro banco FCB (First Citizens Bank) adquiriu a carteira de clientes do SVB, na esperança de manter o financiamento para as startups do Vale do Silício.

No entanto, mesmo que uma solução seja encontrada para a crise, é provável que a confiança dos investidores no setor bancário seja abalada. A falência de um banco tão renomado e importante quanto o SVB é um lembrete duro de que nenhuma instituição financeira é invencível. 

Consequências em território brasileiro

A Forbes traz a informação de que, segundo um relatório do Itaú BBA, os bancos brasileiros não estão expostos às consequências da falência do SVB. 

“Os analistas afirmam que as perdas financeiras para o sistema financeiro brasileiro são irrelevantes e os indicadores de capital e liquidez permanecem confortáveis. Entretanto, isso não significa que as instituições e o país não vão repercutir a quebra do banco de startups de forma indireta nas próximas semanas e meses.”

De acordo com Pedro Leduc, analista-chefe que assina o relatório do Itaú BBA, os bancos digitais brasileiros Nubank e Inter estão em vantagem se comparados com as fintechs. “Isso se deve em parte aos seus enormes recursos de levantamento de capital e em parte devido a seus balanços pouco alavancados”. Leduc destaca que ambas as instituições têm espaço de capital para aumentarem suas carteiras de crédito em 3,4 vezes o Nubank e 2,7 vezes o Inter.

Cenário atual

Na segunda-feira, dia 27/3, tanto os índices futuros dos Estados Unidos quanto as bolsas da Europa amanheceram positivos. Porém, embora as notícias proponham um cenário mais otimista, fato é que investidores ainda monitoram de perto o setor bancário em busca de sinais de fraqueza.

O cenário melhorou a partir do momento em que o First Citizens Bank, um dos maiores bancos regionais dos EUA, concordou em comprar depósitos e empréstimos do Silicon Valley Bank, segundo comunicado do Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC).

A aquisição inclui a venda de US$ 119 bilhões em depósitos e US$ 72 bilhões em empréstimos feitos pelo SVB. Cerca de US$ 90 bilhões em títulos do banco continuarão em liquidação judicial e à disposição do FDIC. 

 

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