O voluntariado nas enchentes do RS e o grau de participação dos gaúchos

Por Elis Radmann

Quase dois em cada dez gaúchos (19%) têm o hábito de participar de associações de bairro, ONGs, movimentos sociais, entidades de classe ou partidos políticos. Em números, estimando com base no conceito de cidadão, considerando quem têm título eleitoral (TSE 2022, 8.593.469 eleitores), tem-se a projeção de 1.632.759 pessoas com a prática ou o interesse de apoiar causas ou outras pessoas.

De um lado, os dados da Defesa Civil indicam que mais de 2,3 milhões de pessoas foram atingidas. De outro lado, não faltaram voluntários e solidariedade do povo gaúcho, sem contar o massivo apoio externo que se somou à uma “grande corrente do bem”, simbolizada pelas correntes humanas em que muitas pessoas se salvaram, superando a força da água de mãos dadas.

Durante o mês de abril de 2024, pouco antes de iniciar a tragédia, o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião questionou a uma amostra representativa dos gaúchos sobre o hábito de participação:

– 19% participam de alguma instituição representativa;

– 80,7% não participa de nenhuma instituição;

– 0,3% não souberam responder à questão.

A relação entre a participação dos entrevistados em entidades representativas com o perfil socioeconômico indica que quanto maior a renda familiar e a escolaridade, maior é a participação em algum tipo de instituição.

Participar de uma instituição pode ser considerada uma participação política, que se presta a inúmeras interpretações por estar associada ao conceito de cidadania e luta por direitos sociais.

Com base nos dados da pesquisa, a participação da população pode ser explicada pelo ambiente socioeconômico e cultural em que vivem e sua inserção em determinados grupos ou categorias, em função das influências que recebem através das interações que realizam.

Quanto maior o conhecimento e o interesse por política, maior a relação voluntária ou participação em associações, entidades de classe ou movimentos sociais. Ao contrário, a grande maioria do eleitorado que não participa de nenhuma instituição acredita que os políticos e os representantes de entidades “atuam em causa própria” e que “não vale a pena participar”. Inclusive, os eleitores de menor poder aquisitivo são aqueles que apresentam um baixíssimo grau de participação e crença no exercício da cidadania, sendo também os que apresentam maior nível de descrença e desinteresse em relação à política.

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