Rv Ímola, referência na logística de produtos para a área da saúde, registrou aumento de 50% em objetos transportados

O setor de logística foi um dos que sentiu os efeitos da ruptura na atividade econômica causada pela pandemia. Em abril, registrou queda de 45% no volume de cargas transportado pelo País, de acordo com dados da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC).

Saúde e alimentação responderam pelos 55% ativos e garantiram o abastecimento de itens de primeira necessidade. Desde então, a recuperação ocorre mês a mês, segundo a NTC. Neste universo, insere-se a RV Ímola, empresa de logística detentora de 60% do mercado no setor público de distribuição de insumos de saúde – cujo negócio principal é transportar suprimentos para hospitais, farmácias, entre outros estabelecimentos e instituições médicas. Por ano, movimenta mais de 70 bilhões de itens, nas unidades e centros de distribuição em Guarulhos (SP), São Paulo (SP), Ribeirão Preto (SP), Rio de Janeiro (RJ), Vitória (ES), São Luís (MA), Belém (PA), Manaus (AM) e Goiânia (GO).

Comandada pelo empresário Roberto Vilela, a RV Ímola registrou, em maio, um aumento de 50% (em relação ao ano passado) no volume de objetos armazenados e transportados, em razão da ampliação da demanda por transporte e armazenagem de medicamentos e insumos farmacêuticos e médicos – como seringas, luvas e até sangue. E entre os produtos que puxaram a alta, estão itens inéditos em outras épocas: kits de testes para o coronavírus, que exigem armazenagem refrigerada a temperaturas baixíssimas, uma das especialidades da empresa.

“A pandemia nos trouxe mais trabalho. Houve queda na movimentação relacionada às cirurgias eletivas e estéticas e o problema da falta de insumos importados para a produção de medicamentos, mas, por outro lado, aumentou a demanda do Sistema Único de Saúde (SUS)”, afirma Vilela. Ele conta que o fato de a companhia ter assumido o suprimento de hospitais de campanha foi responsável por garantir uma realidade distinta da sentida por empresas de outros segmentos.

Para abarcar o aumento da demanda, a empresa aumentou a frota de 90 veículos com mais 50 e, nos últimos seis meses, fez 106 contratações à distância, principalmente para funções de logística e entregas. “Antes da pandemia, fazíamos 40 mil entregas por mês pelo serviço de motofrete [entregas feitas por motoboys]. Agora, temos feito mais de 100 mil”, diz.

Evidentemente, outra mudança necessária foi a implantação de novos protocolos de segurança e higiene, como adoção de rotinas de higienização e desinfecção de todas os volumes transportados, na chegada e na saída. E para manter a equipe coesa, a RV Ímola passou a oferecer palestras a funcionários e parceiros, tanto informativas sobre cuidados quanto motivadoras, com objetivo de reforçar a relevância da atuação de todos em um momento crucial para manter a cadeia de saúde pública do País abastecida.

“Buscamos e entregamos de medicamentos simples a outros extremamente complexos e caros, como aquele que ajuda no crescimento de uma criança, em que uma ampola pode custar cerca de R$ 300 mil”, relata Vilela. “Quando converso com os colaboradores, sempre enfatizo a importância dos insumos de saúde com os quais trabalhamos. Costumo dizer que o pacote não é uma caixa de sapatos, é uma expectativa de vida.”

DISTRIBUIÇÃO DE VACINAS

Com contratos firmados com governos nas três esferas, a RV Ímola está entre as potenciais candidatas a serem selecionadas para operar na distribuição da tão aguardada vacina contra o covid-19. Vilela se mantém atento à evolução dos testes, com expectativa de entrar em campo para essa tarefa em meados de 2021.

“Na minha opinião, pelo tempo dos testes e para seguir todos os protocolos da Organização Mundial de Saúde (OMS), não haverá distribuição de vacina antes do primeiro trimestre de 2021. A produção pode começar no fim do ano, mas creio que as liberações acontecerão a partir de março”. Ele acredita ser possível o lançamento de uma vacina casada com a da gripe, o que pode facilitar a logística e aumentar a adesão da população.

Ainda que o momento econômico inspire cautela por parte da classe empresarial como um todo, Vilela mantém o plano, anunciado no início de 2020, de investir R$ 10 milhões até dezembro. A área de inovação será umas das principais a ganhar aportes. “Estamos focados em investir, de maneira inteligente, na logística 4.0. Estive na China no ano passado e vi muitas coisas interessantes, como câmeras de alta resolução para instalação em veículos, que podem detectar quando o motorista está com sono ou cansado, além de ótimas ferramentas para controles de fluxo de pessoal.

”Na opinião do empresário, um dos diferenciais da RV Ímola no mercado é que a empresa atua “de ponta a ponta” na logística, indo além de buscar e entregar produtos. Um dos grandes exemplos dessa atuação é o fato de manter equipes dentro dos hospitais, para cuidar do abastecimento interno de suprimentos, acompanhando o fluxo de uso nas enfermarias e as prescrições médicas. “Nosso sistema faz todo o controle do estoque, indica aos hospitais a hora certa de fazer a recompra (com a antecedência necessária) e aciona importadores e fornecedores para a cadeia não parar.

Entre vinhos e obras de arte

Quando jovem, o empresário Roberto Vilela, de 60 anos, pensou em cursar medicina. Mas como isso não foi possível, empenhou o talento empreendedor em mais de duas dezenas de negócios – e acabou obtendo sucesso na área de logística de produtos de saúde, retornando, portanto, à área de interesse.

“Completei um ciclo”, diz ele. O otimismo de Vilela lhe rendeu o apelido de “Alegria” – palavra que ele declara ser seu mantra. Na sede da empresa, em Guarulhos, a primeira coisa que o visitante visualiza ao entrar no escritório do empresário é a placa com a inscrição: “A alegria é a coisa mais séria da vida.

Para manter tudo à sua volta alegre e agradável, ele decora os espaços da empresa com obras de arte do acervo próprio, hoje calculado em cerca de 3,3 mil peças. Tamanho é o seu apreço por arte que, na sede, até as salas de reuniões são batizadas com nomes de gênios da pintura, como Picasso e Monet. A sua predileta é a coleção “Santa Ceia”. São mais de 60 versões inspiradas no afresco A Última Ceia, de Leonardo da Vinci. Há pinturas e gravuras, algumas de poucos centímetros, outras de grandes dimensões, ocupando paredes inteiras. Muitas foram encomendadas por ele diretamente aos artistas. “Vejo a ‘Santa Ceia’ como harmonia e integração. Tudo pode acontecer ao redor da mesa, na partilha de uma refeição. É um lugar no qual se quebra qualquer barreira.”

Outro elemento na cena da última refeição de Jesus com os apóstolos encanta Vilela: o vinho. A paixão pela enologia o levou a comprar a importadora Portus Cale, negócio hoje conduzido pela filha, Karene Vilela, sommelière. O empresário tem participação ainda na Vinícola Bacalhoa, em Portugal. “Minha relação com o vinho começou com amigos apreciadores e foi crescendo quando tive uma revista de  gastronomia”. Para acompanhar a degustação de bons rótulos, ele não perde a chance de cozinhar para a família. Dos seus preparos, a paella e o leitão à bairrada estão entre os favoritos.

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