Brasil de Ideias debate potencialidades do RS no mercado externo

Nesta quinta-feira (27), a Revista VOTO realizou mais uma edição do Brasil de Ideias, no Pool Bar do Sheraton Hotel Porto Alegre. No centro do debate entre o novo chefe da Casa Civil, Fábio Branco, a professora de Relações Internacionais da ESPM-Sul Ana Simão, e o CEO da 4all, José Renato Hopf, está a “Inovação e a inserção dos estados nos mercados internacionais”.

A professora Ana Simão começou a discussão levantando algumas questões sobre o Mercosul e contextualizando o que a criação do bloco trouxe de importante para o País e para o Rio Grande do Sul nestas duas décadas de existência. Para ela, em geral, o saldo foi positivo. De acordo com dados apresentados, o Produto Interno Bruto – PIB dos quatro países fundadores do bloco (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) juntos é de mais de US$ 3 trilhões. Caso fosse um país, teria o quinto maior PIB do mundo. “Sem contar que o Mercosul multiplicou neste período em 12 vezes o seu tamanho. É o segundo exportador de açúcar do mundo, grande produtor de soja e o segundo exportador de carne”, explicou.  O RS é o Estado brasileiro que mais tem vantagem com o bloco, segundo a professora, porque ganhou espaço por ser atrativo pela fronteira seca. “Para o mundo, nós somos agronegócio. Para o Mercosul, podemos exportar tecnologia. De 2001 a 2014, aumentamos em 14% as vendas para o bloco e 11% para o Brasil. Sendo que 90% da nossa tecnologia tem como destino as nações vizinhas”.

O CEO da 4all, José Renato Hopf, lembrou que muitas pessoas lhe perguntaram o porquê de voltar a investir no RS depois de ter vendido a GetNet. “Antes de tudo, é bom deixar claro que o meu pensamento é que nada de grande e perene se faz sozinho. Minha intenção era fazer algo próprio e que pudesse ser aqui no Estado com tecnologia padrão global. E, para construir algo (nestes moldes, tem que ser com alguém que a gente confia. Queremos mostrar que podemos fazer algo de relevante. Já investimos na 4all cerca de R$ 25 milhões próprios, temos mais de 160 pessoas na equipe e temos cerca de 40 vagas de emprego abertas”. Hopf se mostrou um critico ferrenho do modelo de empresário que fica esperando pelo governo para investir. E também do governo que interfere em tudo, que faz o que não é sua prerrogativa. “A aposta em inovação pode contribuir para a criação de uma agenda positiva para o Rio Grande do Sul  e exercer um papel importante na retomada do crescimento do Estado”, acredita o empresário.

O novo chefe da Casa Civil, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do RS, Fábio Branco, trouxe a visão do Estado para o debate.  “Quando assumimos a secretaria depois da fusão, quisemos focar em três pilares: ciência e tecnologia, empreendedorismo e inovação. Os setores eram afastados, um colocava a culpa no outro pelo mau funcionamento da máquina e precisávamos azeitá-la. Quem está no governo não tem que deixar marca pessoal, tem que deixar politica de governo”, destacou. Entre os projetos continuados, segundo Branco, está a Sala do Investidor criada pelo governo passado e que foi mantida com algumas mudanças de formato e dando prioridade para seis setores estratégicos da economia do RS. “Fizemos também uma verificação na Lei da Inovação para entender por que ela não recebia adesão dos empresários, integramos sistemas com municípios – devemos chegar a 120 cidades gaúchas este ano –, modernizamos o licenciamento ambiental, a Junta Comercial. Estamos realinhando medidas de enfrentamento à burocracia. Para o governador Sartori, o Estado tem que ser mais ágil, mais eficiente e mais transparente”, afirmou.

O Brasil de Ideias tem o patrocínio de Braskem, CMPC – Celulose Riograndense e EGR – Empresa Gaúcha de Rodovias.

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