O resgate do amor pelo Brasil

O primeiro turno das eleições de 2018 confirmou o início de uma nova postura política dos eleitores brasileiros. Foram muitas as novidades positivas, mesmo em um cenário de profunda polarização.

Os brasileiros consolidaram nas urnas o que já se desenhava durante toda a campanha eleitoral: a indignação coletiva com os rumos da política tradicional e a esperança de um país mais combativo contra a criminalidade e a corrupção.

Partidos tradicionais como PP, MDB e PT perderam espaço para os nanicos. A significativa renovação no Congresso – não detectada por boa parte dos analistas brasileiros – comprovou que pesquisas e “formadores de opinião” já não influenciam tanto o eleitor.

Bem pelo contrário, em vários casos as pesquisas erraram feio. Boa parte dos lulistas foram derrotados. Figuras históricas estão banidas do cenário político nacional por não conseguirem superar o desgaste provocado pela operação Lava-jato.

É uma decadência dos grandes partidos que evidencia o cansaço das pessoas com a política tradicional, de muito discurso e pouca efetividade, e mostra que estamos, pouco a pouco, iniciando um novo e saudável capítulo da política brasileira.

Não podemos negar certo grau de evolução para um Brasil em frangalhos, com altos índices de desemprego e uma economia enfraquecida. Além dos altos índices de violência, impunidade e desconfiança institucional.

Os brasileiros provaram que o voto do cidadão é soberano e que não estão dispostos a compactuar com aqueles que, ao longo de 13 anos, aparelharam a máquina pública a serviço de um projeto de poder.

A eleição vem para mostrar como a sociedade organizada é capaz de se mobilizar para mudar o país e enfrentar grandes grupos de comunicação, partidos políticos, o sistema eleitoral tradicional, grandes estruturas de marketing e oligarquias que tradicionalmente “mandavam” no eleitorado brasileiro.

O resgate do amor pelo Brasil acima das siglas partidárias foi o grande protagonista. E o que vimos emergir das ruas e das urnas foi a genuína vontade dos cidadãos de bem. Os mesmos que foram as ruas a favor da Lava-jato, da ordem e do progresso.

Um novo (e melhor) Brasil, enfim, está emergindo das urnas. O povo se libertou!

Por Karim Miskulin, diretora-executiva da Revista Voto e cientista política

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